Bombeiros resgatam pessoas no Edifício Joelma

Escrito por Vítor Fernandes

Diretor na OFOS com mais de 10 anos de experiência no mercado de prevenção e combate a incêndios

O incêndio no Edifício Joelma foi e ainda é, o mais grave em estruturas verticais na história do Brasil e, um dos piores do mundo. Foram 191 vítimas fatais e mais de 300 feridos. A população paulista ficou incrédula com o que haviam presenciado. As pessoas simplesmente se atiravam à morte, em um ato de desespero para fugir do calor insuportável.


Construção e inauguração do Edifício Joelma

O Edifício Joelma começou a ser construído em 1969 e foi inaugurado 3 anos depois, em 1972 na cidade de São Paulo. Composto por duas torres, o edifício possuí 25 andares. São 25 andares, os 10 primeiros são de garagem e sua entrada fica na famosa Avenida Nove de Julho.

Logo após sua inauguração o edifício foi alugado para o extinto Banco Crefisul de Investimentos. Na época foi considerado um edifício moderno e seguro.

Quem ocupava o Edifício Joelma no dia do incêndio?

No dia do incêndio havia cerca de 756 ocupantes no Edifício Joelma. Os sete primeiros andares de garagem não foram atingidos graças a portas de emergência, o que permitiu que os 17 funcionários que ali trabalhavam, se salvassem.

Os andares ocupados pelo Banco Crefisul foram completamente destruídos. Trabalhavam ali 861 funcionários, dos quais 600 já haviam chegado na hora que o incêndio se iniciou. Além deles, havia também 71 funcionários da empresa de limpeza Continental. Infelizmente muitos perderam suas vidas.

Qual foi a causa do incêndio?

O Banco Crefisul não havia terminado de se instalar no prédio, quando na manhã do dia 1º de fevereiro de 1974 tudo aconteceu. As investigações concluíram que o incêndio se iniciou por conta de um curto circuito em um dos aparelhos de ar-condicionado do 12º andar. Foi constatado pela investigação que a infraestrutura elétrica do Edifício Joelma era muito precária, além de estar sobrecarregada.

Em poucos minutos o fogo já havia se alastrado, causando pânico e impedindo os ocupantes de evacuarem o edifício.

Os curtos circuitos são até hoje, um dos principais motivos causadores de incêndios. Podemos citar recentemente, o caso ocorrido no Centro de Treinamento do Flamengo. A causa do incêndio foi a mesma: curto circuito em aparelho de ar-condicionado.

O que fez o fogo se alastrar tão rapidamente?

Na data do incêndio, o Código de Obras do Município de São Paulo em vigor era do ano de 1934, ou seja, ultrapassado em 40 anos. Na década de 30 a população da cidade não ultrapassava os 700 mil habitantes. Os edifícios eram baixos, com poucos andares e certamente não estavam equipados com todos os aparelhos eletrônicos que já existiam na década de 70.

As exigências feitas pelos órgãos competentes estavam a margem daquilo que seria o ideal. Eram totalmente inadequadas. Aliado a isso haviam os escritórios e salas repletos de material combustível. De móveis e divisórias de madeira  a pisos acarpetados e cortinas de tecido e fibra sintética.

Todo esse material é extremamente inflamável e contribui de forma negativa na velocidade que o fogo se propagou.

Vale destacar que hoje em dia, o Corpo de Bombeiros leva muito a sério a questão dos materiais de acabamento e revestimento. Existe uma Instrução Técnica que trata apenas disso (IT nº 10/2011), que deve ser seguida à risca.

A equipe de resgate

Devido ao trânsito da região o Corpo de Bombeiros só chegou ao local 7 minutos depois da primeira chamada. Pessoas já se atiravam do alto do edifício.

Cerca de 1.500 profissionais foram mobilizados. Eram bombeiros, profissionais das forças de segurança, equipes de cinco diferentes hospitais estaduais e tantos outros particulares. A Operação de resgate contou ainda, com 14 helicópteros, 39 viaturas do Corpo de Bombeiros e todas as ambulâncias da rede hospitalar.

Logo no início do combate ao fogo os Bombeiros tiveram problemas, pois os hidrantes da região estavam defeituosos e não forneciam pressão suficiente. Foram deslocados então, todos os carros-pipa disponíveis na Prefeitura, cerca de 30, além de muitos outros particulares, que também ajudaram no combate.

Apesar da falta de equipamentos que o Corpo de Bombeiros dispunha na época, a tragédia teria sido pior se não fosse por 2 escadas Magirus de 45m, compradas recentemente. Elas chegavam até o 12º andar e anexadas a escadas menores permitiram que os Bombeiros alcançassem o 16º andar.

O capitão Hélio Caldas disse na época que tivesse mais equipamentos e homens, poderia ter salvo ao menos, entre 40 e 50 pessoas.

A cronologia do incêndio

Linha do tempo do incêndio no Edifício Joelma Linha do tempo do incêndio no Edifício Joelma Linha do tempo do incêndio no Edifício Joelma

Alguém foi responsabilizado pelo incêndio?

Após a conclusão da investigação sobre as causas do incêndio, no mês de julho de 1974, as empresas Crefisul e Termoclima foram responsabilizadas. O Banco Crefisul por ser o locatário do imóvel e a Termoclima por ser a responsável pela manutenção da parte elétrica do prédio.

O veredicto do julgamento dos responsáveis foi anunciado no dia 30 de abril de 1975 e cinco pessoas foram condenadas. Do Banco Crefisul foram 3 condenados: Kiril Petrov, gerente-administrativo (três anos de prisão) e os eletricistas Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins (dois anos de prisão). Pela empresa Termoclima foram dois os condenados: o proprietário Walfrid George o eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno (dois anos de prisão cada).

Ao todo foram 191 mortos e mais de 300 pessoas feridas. Dentre os mortos, cerca de 30 pessoas ficaram sem identificação, pois tiveram os corpos totalmente carbonizados. Até hoje o incêndio do Edifício Joelma é considerado o 2º maior do mundo para este tipo de construção, ficando atrás apenas do World Trade Center em Nova Iorque.

Após 4 anos interditado para reformas, o edifício foi reaberto e rebatizado de Praça da Bandeira, mas sua história jamais será esquecida.

Você sabia que alguma pessoas consideram o local mal assombrado?

Mesmo após as reformas, mudança de nome e cor, há quem jure que as almas penadas dos que ali morreram continuam a vagar pelo Joelma.

A história de local mal-assombrado começa muito antes do incêndio do Edifício Joelma. Nos séculos XVII e XVIII o local era um pelourinho, onde os negros eram torturados e brutalmente assassinados. A má fama do local já era tanta que os próprios índios deram o nome de Anhangabaú (significado de morte) para a região.

O Crime do Poço

Já em 1948, uma casa havia sido construída ali. Moravam nela, o jovem professor Paulo Camargo de 26 anos com sua mãe Benedita e as duas irmãs. Paulo, apesar de ter negado até sua morte, era o principal suspeito de um triplo assassinato, o de sua mãe e irmãs. Na época foram levantadas hipóteses para os assassinatos. A não aceitação de uma namorada por parte da mãe, ou Paulo não querer cuidar das três por uma doença grave que as acometia.

Duas semanas após o crime, quando a polícia começou a cavar o poço que havia na casa, Paulo se suicidou no banheiro. Os corpos das três foram encontrados, mas o caso nunca foi concluído de fato. O crime abalou a cidade de São Paulo e ficou conhecido como O Crime do Poço.

O crime ainda provocou outra morte de forma indireta. Um dos bombeiros que participou do resgate dos três corpos, estava sem proteção ao manusear os cadáveres no poço e morreu por infecção cadavérica. Mais uma vítima dessa maldição.

As Treze Almas

Durante o incêndio do Edifício Joelma, 13 pessoas que tentavam escapar pelo elevador foram totalmente carbonizadas. Sem ter como fazer a identificação das vítimas, os corpos foram enterrados juntos, lado a lado, no Cemitério São Pedro. Ficaram conhecidas como “As Treze Almas”.

O zelador do cemitério diziam escutar gritos e lamurios das “Treze Almas”. Ele passou então a molhar as sepulturas, e as vozes foram silenciadas. Até hoje milagres são atribuídos “As Treze Almas”, e como oferenda as pessoas deixam um copo d’água nas sepulturas.

Alguns dos comuns que viraram heróis!

Joel Correia: De um prédio oposto e munido de um telescópio viu que ainda havia pessoas vivas no 21º andar, quando as buscas já haviam sido encerradas. Ligou para a rádio Jovem Pan que transmitiu as informações aos Bombeiros. Todos foram salvos.

Rolf Victor Heueu: Antes de ser salvo pelos Bombeiros conseguiu subir ao 19º andar e acalmar uma mulher que estava prestes a se atirar. Ficou mais de 3 horas no parapeito do prédio apresentando extrema tranquilidade, enquanto fumava cigarro.

Celso Bidinguer: Desceu do 16º para o 13º andar com uma corda improvisada feita de cortina para ajudar Tarsila de Souza que ameaçava a se jogar. Esperaram por mais de 2 horas o resgate e desceram mais um andar por corda, mas foram salvos.

Benedito Ferreira França: Desceu 3 andares carregando uma moça. Queimado nos braços e no rosto desmaiou e só acordou no hospital.

José Gomes Ferreira: Taxista e ex-Bombeiro, ao se deparar com o incêndio parou imediatamente seus afazeres, e com um lenço úmido no rosto e sem camisa, foi ajudar no resgate as vítimas.

FONTES: Jornais do Brasil, O Estado de S. Paulo e Folha de São Paulo; Programa de TV Linha Direta (Globo); Revista Veja; Portal de notícias G1.

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Tem curiosidade de saber como está a legislação contra incêndio hoje me dia? acesso este artigo que trata sobre as mais recentes mudanças.

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