Extintor de pó químico

Escrito por Vítor Fernandes

Diretor na OFOS com mais de 10 anos de experiência no mercado de prevenção e combate a incêndios

O incêndio do Edifício Andraus foi um dos piores da história do Brasil. As chamas tomaram o edifício por completo e ainda atingiram 5 prédios vizinhos. Se considerarmos o tamanho da tragédia, o número de vítimas foi baixo, principalmente devido a atuação das equipes de resgate.

Neste texto você ficará por dentro dos seguintes tópicos:

  • A construção e inauguração do Edifício Andraus;
  • Quais foram as causas do incêndio no Edifício;
  • Quem ocupava o Edifício no dia do incêndio;
  • Quais e quantas vidas se perderam durante as horas de incêndio;
  • Os heróis dessa tragédia;
  • Lista de pilotos e aeronaves que participaram do resgate do Edifício Andraus;
  • O dia do piloto de helicóptero;
  • Quem foram os culpados e os responsabilizados pela tragédia;
  • O Edifício Andraus hoje.

Construção e inauguração do Edifício Andraus

A construção Edifício Andraus demorou 5 anos para ficar pronta, de 1957 até 1962. O projeto do arquiteto Majer Botkowski foi inaugurado em 1962 na esquina da Av. São João com a Rua Pedro Américo, na cidade de São Paulo.

O Edifício tem um total de 29 andares e foi realizado pela Construtora e Incorporadora Andraus Ltda. O nome do prédio foi uma homenagem ao fundador da construtora, O Sr. Roberto Andraus.

As causas do incêndio no Edifício Andraus

Tudo começou no dia 24 de fevereiro de 1972 por voltas das 16 horas. A causa do incêndio foi uma sobrecarga elétrica no terceiro andar do Edifício Andraus, onde funcionava o crediário das Casas Pirani. Segundo relatos da época, o Gerente João Batista Zicari Filho tentou apagar as chamas com um dos apenas três extintores que haviam em cada andar. Seu esforço foi em vão.

Rapidamente as chamas se espalharam para a sessão de alfaiataria no segundo andar. Em cerca de duas horas o fogo havia tomado o edifício por completo. No dia da tragédia ventava mais forte que o comum na cidade de São Paulo, o que contribuiu com a velocidade que as chamas se espalharam.

O governador do Estado na época, Laudo Natel compareceu no local da tragédia e por ali ficou cerca de 10 minutos. O prefeito da cidade, José Carlos de Figueiredo Ferraz também compareceu ao local. Ambos deram declarações e demonstram solidariedade.

A norma vigente na época para a prevenção de incêndios era a do código de obras de 1934. O código estava totalmente defasado e ultrapassado, frente as novas tecnologias e ao tamanho dos edifícios. Isso fez com que o local não estivesse preparado para enfrentar uma situação como a ocorrida.

Infelizmente foi necessário que mais uma tragédia acontecesse, o incêndio do Edifício Joelma, com muito mais mortes, em 1974, para que as leis fossem revisadas e endurecidas.

Quem ocupava o Edifício no dia do incêndio?

Além das Casas Pirani, uma loja de departamento da época, que ocupava 5 andares do prédio e tinha 500 funcionários, os andares de cima abrigavam empresas importantes. O Edifício Andraus era ocupado por empresas como Petrobrás, Siemens, Renkel, Companhia Varejista de Seguros, que possuíam juntas cerca de 2.000 funcionários.

A Shell havia recém adquirido os 3 últimos andares do prédio e planejava, uma festa de inauguração para o mesmo dia da tragédia, no 25º andar.

As vidas perdidas durante o incêndio

As pessoas que ocupavam os andares mais baixos conseguiram escapar, especialmente os funcionários das Casas Pirani. Mas boa parte dos ocupantes não tiveram a mesma sorte.

Foram 320 pessoas que saíram feridas e infelizmente 16 vítimas fatais. Algumas morreram carbonizadas e outras se atiraram a morte, fugindo do calor insuportável.

Sete corpos carbonizados foram encontrados juntos em uma sala no 11º andar, nas dependências da Petrobrás. Eram 4 homens e 3 mulheres que possivelmente ficaram presos por conta de uma porta de metal que deve ter estufado com o calor e impedido a saída deles.

O Edifício possuía escada de emergência, mas a mesma foi tomada pelas chamas e fumaça, o que impediu a fuga. Além disso, as escadas Magirus do Corpo de Bombeiros não alcançavam os andares mais altos, impedindo o salvamento, já que os andares mais baixos já estavam tomados pelas labaredas.

Então a única saída para as pessoas se afastarem das chamas, foi subir para o topo do edifício. Foram cerca de 500 que chegaram a cobertura do prédio, onde foram resgatas pelos helicópteros.

Os heróis da tragédia

O Corpo de bombeiros já havia retirado muitas pessoas pelas escadas Mangirus, mas conforme o fogo começou a subir, as escadas já não alcançavam mais. A única esperança para os sobreviventes foi subir ao topo do edifício.

Com a dificuldade do resgate a única saída seria por helicóptero. O primeiro no local foi o comandante Walmir F. Sayão da COMASP. Sobrevoando juntamente ao mecânico Brizzi que o acompanhou, perceberam que não seria possível pousar no prédio. Solicitaram então, para as cerca de 50 pessoas que estavam no local que derrubassem tudo que pudesse atrapalhar, como as antenas. Foram atendidos.

O Comandante Walmir conseguiu transportar até o topo do prédio 3 policiais militares que ajudariam no resgate das vítimas. O tenente do Corpo de Bombeiros Duxferri e os policiais do COE, Augusto Cazzaniga e Milton Serafim da Silva.

Acreditava-se haver apenas 50 pessoas no topo, mas ao voltar para o resgate o comandante percebeu que havia centenas de pessoas. Quando os 3 policiais militares saltaram no topo do prédio encontraram uma porta de ferro trancada com cadeado. Ao desobstrui-la centenas de pessoas saltaram para fora, fugindo da fumaça e das chamas. Estavam presas.

Na época a frota de helicópteros na cidade de São Paulo era de cerca de apenas 20 aeronaves. A policia Militar e o Corpo de Bombeiros não possuíam nenhuma aeronave própria. Os voluntários, por esse motivo, foram indispensáveis no resgate.

Trabalhando de maneira incansável, sob condições extremas e grande risco, os 12 pilotos fizeram algo extraordinário. Resgataram cerca de 500 pessoas do prédio em chamas.

Apenas o comandante Olendino Souza fez 32 viagens de ida e volta até o Aeroporto de Congonhas. Ele pilotava a maior aeronave no operativo e foi responsável pelo transporte de 307 pessoas. Exausto ao final do resgate, deitou-se ao lado do helicóptero e dormiu como um bebê.

O fogo começou a dar uma trégua por volta dás 19 horas da noite, mas o resgate continua até às 22 horas, quando saiu o último sobrevivente do edifício.

Os 12 pilotos e aeronaves que participaram do resgate do Edifício Andraus

Piloto: Cláudio Finatti – Helicóptero: F28A – Empresa: Anhembi Aviação
Piloto: Capitão Portugal Motta – Helicóptero: Bell 206 – Empresa: Audi
Piloto: Carlos Zanini – Helicóptero: Bell 206 – Empresa: Pirelli

Piloto: Comandante Olendino Francisco de Souza – Helicóptero: Bell 204B – Instituição: Governo do Estado de SP

Piloto: Coronel Fonseca – Helicóptero: Hiller FH-1100 – Instituição: Prefeitura Municipal
Piloto: Coronel Gilson Rosemberg – Helicóptero: Bell 204B – Instituição: Governo do Estado de São Paulo
Piloto: Coronel Telmo Torres Ayres – Helicóptero: Bell 206 – Empresa: Indústrias Papel Simão

Piloto: Judimar Picolli – Helicóptero: F28A – Empresa: Anhembi Aviação
Piloto: Leo Waddington Rosa – Helicóptero: Hughes 300 – Instituição: VOTEC
Piloto: Silvio Monteiro – Helicóptero: Hughes 300 – Empresa: Particular

Piloto: Sérgio Bering – Helicóptero: F28 – Empresa: Particular

Piloto: Walmyr Fonseca Sayão – Helicóptero: Hiller FH-1100 – Instituição: COMASP

O dia do piloto de helicóptero

O heroísmo dos pilotos que participaram do resgate das vítimas do incêndio do Edifício Andraus não passou desapercebido. Em aproximadamente 150 voos, os 12 pilotos salvaram cerca de 500 pessoas. O dia 24 de fevereiro, ficou marcado para sempre e hoje é celebrado como o Dia do Piloto de Helicóptero. Uma homenagem singela e justa a esses heróis que tanto se ariscaram.

Os responsáveis pelo incêndio no Edifício Andraus

As autoridades nos papéis do Prefeito e do Governador pouco fizeram. Esbravejaram que cobrariam e fariam mudanças, mas pouco aconteceu. O Presidente do Brasil, vivendo uma ditadura na época, era o General Emílio Garrastazo Medici, que se limitou a lamentar o ocorrido.

O único condenado pelo incêndio foi o gerente-geral das Casas Pirani, Nilson Cazzarini. Ele foi condenado a dois anos de prisão, com direito a sursis (suspensão da execução da pena privativa de liberdade imposta sob determinadas condições).

O Edifício Andraus é mal-assombrado?

Devido aos trágicos acontecimentos, muitas pessoas supersticiosas consideram o local mal-assombrado. Uma rápida pesquisa na internet vai te mostrar que é inclusive, considerado em roteiros de locais mal-assombrados pela Cidade de São Paulo.

Existem muitos relatos de pessoas que dizem escutar vozes e gritos, além de portas e janelas fechando e batendo.

O Edifício Andraus hoje

Logo após o incêndio o edifício teve que passar por uma grande reforma, o que incluiu uma revisão da segurança contra incêndio. Foram adicionas portas corta-fogo, iluminação de emergência, uma brigada treinada entre outros.

Revitalizado, o Edifício Andraus continua a sediar escritórios, mas hoje ao invés de empresas particulares, quem o ocupa são órgãos da administração pública.

Fontes: Jornal Folha de São Paulo (acervo digital); Portais Memoria Globo, Piloto Policial, Aventuras na História, Cultura Aeronáutica, Aero Magazine.

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Tem curiosidade de saber como está a legislação contra incêndio hoje me dia? acesso este artigo que trata sobre as mais recentes mudanças.

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