Incêndio na ultracargo em santos 2015

Escrito por Vítor Fernandes

Diretor na OFOS com mais de 10 anos de experiência no mercado de prevenção e combate a incêndios

O incêndio na Ultracargo em Santos, no bairro da Alemoa aconteceu no ano de 2015. Segundo a CETESB, foi o maior desastre deste tipo já registrado no Brasil. Toneladas de peixes de diversas espécies morreram, prejudicando centenas de famílias que viviam da pesca.

Ao longo do texto, irei destacar os seguintes tópicos:

  • O que causou o incêndio na Ultracargo?
  • Quantos dias durou o incêndio da Ultracargo em Santos?
  • Como foi o combate às chamas na refinaria?
  • Os impactos ambientais do incêndio na Ultracargo
  • Punições aos responsáveis pelo incêndio na Ultracargo
  • O caso do incêndio na refinaria em Santos continua aberto

O que causou o incêndio na Ultracargo?

O Incêndio na Ultracargo em Santos teve início no dia 02 de abril em tanques de gasolina e etanol. Os tanques que foram consumidos eram de responsabilidade da empresa Tequimar – Terminal Químico de Aratu, uma subsidiária da Ultracargo.

O incêndio se iniciou no centro de transferência de combustíveis da empresa. Por um erro operacional as tubulações de descarga e sucção estavam operando fechadas, o que causou a explosão de uma válvula.

Quantos dias durou o incêndio na Ultracargo em Santos?

O incêndio se início por volta das 10h dia 02 de abril e só foi extinguido no dia 10 de abril. Durante 9 dias as chamas consumiram os tanques com material inflamável.

Como foi o combate às chamas na refinaria?

Desde o começo o Corpo de Bombeiros enfrentou dificuldades no combate ao incêndio. Por conta da alta combustibilidade da gasolina e do etanol as temperaturas chegaram a atingir 800°C. A temperatura era tão alta que a água evaporava antes de chegar as chamas. A água então, foi utilizada apenas para resfriar os tanques.

Outra questão que dificultou foi a quantidade de material em chamas, 6 tanques com capacidade de 6 milhões de litros. Eram 5 de gasolina e 1 de etanol. Apesar do tamanho do desastre, poderia ter sido ainda pior, uma vez que haviam 175 tanques no local.

Para controlar ajudar a controlar as chamas e resfriar os tanques, o Corpo de Bombeiros utilizou cerca de 8 bilhões de litros de água salgada. Foram utilizados juntamente a água, entre 400 e 700 mil mil litros de LGE – Líquido Gerador de Espuma. Esta espuma funciona como um isolante térmico, aumentando a capacidade de penetração da água. A espuma veio de todos os lugares do Brasil, acabando com o estoque nacional.

Além disso foram utilizados 360 litros de pó químico seco, conhecido como cold fire cedidos pela Infraero. Este tipo de produto é muito comum para combater incêndios em aeroportos e aviões, uma vez que usam combustível de alta combustão.

Cerca de 140 profissionais do Corpo de Bombeiros e dezenas de viaturas e caminhões trabalharam no combate às chamas. Devido ao tamanho do incêndio, diversos quartéis de cidades da região disponibilizaram seus contingentes para ajudar. As empresas Petrobras, Transpetro, Braskem e Ultra, se uniram ao combate disponibilizando equipamentos e brigadistas.

Os impactos ambientais do incêndio na Ultracargo

A CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo classificou esse incêndio, como a maior tragédia do tipo na história do Brasil. Apesar da gravidade do incêndio, apenas 15 pessoas se feriram e sem gravidade. Já não se pode falar o mesmo sobre a fauna e a flora da região.

Os bilhões de litros de água salgada usados no combate, acabaram voltando para o estuário. Em uma temperatura de 36°C essa água quente e contaminada diminuiu a taxa de oxigênio da água, causando a morte de 7 toneladas de peixes, de 142 diferentes espécies, sendo 15 delas em extinção.

Moradores do entorno do incêndio registraram problemas como complicações respiratórias e a temida chuva ácida. As chamas chegaram a 60 metros de altura e era possível ver a fumaça do incêndio desde as cidades de Guarujá, São Vicente, Praia Grande e Cubatão.

Punições aos responsáveis pelo incêndio na Ultracargo em Santos

Cinco dias após o fim do incêndio, no dia 15 de abril, a Cetesb multou a empresa em 22,5 milhões de reais. A multa tem respaldo nos artigos 61 e 62 do decreto federal 6.514/08, que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98).

A Prefeitura de Santos aplicou outra multa a empresa no valor de R$ 2,8 milhões de reais. Foi o maior valor já cobrado pela Prefeitura. A penalidade foi aplicada com base no artigo 14 do Capítulo III da Lei Complementar 528/2005. Durante 14 dias seguidos a cidade sofreu com a interdição de vias públicas e rodovias, o que causou prejuízo financeiro e transtorno a população local.

No dia 15 de maio de 2019, 4 anos após o incêndio em Santos, foi assinado um acordo de R$ 67,3 milhões entre os Ministério Público, Federal e representantes da Terminal Químico de Aratú – Tequimar, subsidiária da Ultracargo.

Do total do acordo R$ 28,7 milhões foram pagos como compensação aos pescadores durante o primeiro ano de pesca. R$ 15,3 milhões foram usados para melhorar a infraestrutura dos pescadores e R$ 23,5 milhões foram investidos em qualificação profissional e cursos de sustentabilidade e empreendedorismo por exemplo.

O caso do incêndio na refinaria em Santos continua aberto

Apesar do acordo assinado o Ministério Público Federal não deu o caso por encerrado. Os promotores e procurados que atuam no caso, buscam uma indenização extra de cerca de R$ 3 bilhões de reais. Segundo o MPF a empresa foi culpada pelo incêndio, negligente e imprudência no manuseio de tamanha quantidade de líquidos inflamáveis.

O MPF afirma ainda, que a empresa agiu com dolo eventual, que é quando se assume o risco de algo errado acontecer, pelas seguintes razões:

  • Medidas Preventivas falhas;
  • Problemas de operação no sistema de bombas;
  • Mal funcionamento do sistema fixo de espuma de combate a incêndio;
  • Falta de acesso rápido de sua brigada aos equipamentos de proteção individual – EPI.
  • Não conseguir impedir que os líquidos escoassem para o estuário.

Fontes: Portal de notícias Agência Brasil, G1, Petronotícias, A tribuna on-line, Diário do Litoral; Revistas Veja, Istoé, Exame.

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Tem curiosidade de saber sobre outras histórias de incêndios que marcaram? Veja as histórias do Edifício Joelma, do Edifício Andraus, e do Gran Circus Norte-Americano.

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