Incêndio nas lojas renner 1976

Escrito por Vítor Fernandes

Diretor na OFOS com mais de 10 anos de experiência no mercado de prevenção e combate a incêndios

O incêndio na Lojas Renner foi  a maior tragédia desse tipo, até aquela data, em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul. O incêndio consumiu o prédio por completo. Foram dezenas de mortos e feridos nesta tragédia que marcou época e impulsionou mudança na legislação e melhorias de trabalho para o Corpo de Bombeiros.

Ao longo deste artigo você ficará por dentro dos seguintes temas:

  • A Lojas Renner
  • Local do incêndio
  • O início do incêndio da Lojas Renner em 1976
  • As vítimas do incêndio da Lojas Renner em Porto Alegre
  • O trabalho heroico do Corpo de Bombeiros
  • As causas do incêndio na Lojas Renner
  • Mudanças na Legislação do Estado do Rio Grande do Sul

Espero que você goste!


A Lojas Renner

O Grupo A.J. Renner foi fundado em 1922 pelo gaúcho Antônio Jacob Renner e se dedicava a atividades fabris. Em 1965 o grupo foi desmembrado e foi constituída a Lojas Renner. Em 1967 a empresa abriu seu capital e em 1990 passou por uma reestruturação total. Hoje em dia possuem mais de 600 lojas em operação no Brasil e no Exterior.

Local do incêndio

Na esquina das ruas Otávio Rocha e Doutor Flores, se encontrava – como era conhecido – o Edifício da Lojas Renner. Era um prédio com 8 andares de altura, localizado bem no centro da cidade. Pelos menos outros dois prédios foram atingidos pelas chamas, o das Lojas Incosul e os três andares do Armazém Riograndense, que vieram completamente abaixo.

O início do incêndio na Lojas Renner em 1976

No dia 27 de abril de 1976 centenas de pessoas faziam compras na loja de departamentos, que ocupavam os diversos andares do edifício. No sétimo andar funcionava um restaurante e uma barbearia. Foi quando após às 14h uma forte explosão foi ouvida no primeiro andar e fumaça passou a ser vista no terceiro pavimento do prédio.

Em instantes o pânico se instalou e o alvoroço foi geral. Rapidamente uma fumaça negra tomou o prédio e podia ser observada a quilômetros de distância. Em pouco tempo as chamas já ardiam a mais de 800°C no interior da Lojas Renner. O delegado David de Castro, da Polícia Federal que estava na loja, relata que foi em vão sua tentativa de acalmar as pessoas. Relata ainda, que foi praticamente levado pela multidão pelas escadas, como num estouro de manada.

O fogo se iniciou em um local onde se armazenava latas de solvente, tintas e embalagens plásticas, material altamente inflamável. Alguns funcionários em ato de coragem, ainda tentaram apagar as chamas, despejando o conteúdo de 15 unidades extintoras. Mas as chamas altas e sucessivas explosões impediram o combate.

Foi dada a ordem para a evacuação de todos os prédios vizinhos. Um grande número de curiosos se aglomerou nas imediações. Todas as linhas de ônibus foram desviadas para pontos mais afastados. Tudo isso criou um caos, gerando um congestionamento por toda a cidade que chegava até o Aeroporto Salgado Filho, localizado a 15km do centro.

As vítimas do incêndio da Lojas Renner em Porto Alegre

A existência de escadas de emergência possibilitou que maior parte dos ocupantes evacuassem o edifício. Mas muitos não tiveram a mesma sorte e acabaram falecendo. No total foram 41 mortos e mais de 60 pessoas feridas. Muitos corpos estavam tão incinerados, que desapareceram em meio aos escombros.

Se tem registros de duas pessoas que morreram após se jogarem do alto do prédio. O calor era tão forte, que preferiram a morte certa, ao continuar suportando aquele inferno. Cenas que haviam acontecido nos incêndios dos edifícios Joelma e Andraus, e chocaram o Brasil, voltavam a assombrar a multidão.

Mas a grande maioria morreu carbonizada, após desmaiarem pela intoxicação de fumaça e gases tóxicos.

O trabalho heroico do Corpo de Bombeiros

O Corpo de Bombeiros não poupou esforços para combater até então, o maior incêndio da história de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Foram 13 caminhões e mais de 200 homens combatendo as chamas.

Muitas pessoas que não conseguiram passar pela fumaça e chamas para sair do edifício, tiveram que subir para os andares mais altos. Com duas escadas Magirus que chegavam até o oitavo andar o Corpo de Bombeiros conseguiu salvar cerca de 80 pessoas.

Alguns helicópteros tentaram fazer o resgate das vítimas, mas a enorme coluna de fumaça impedia a aproximação. Além disso o vento gerado pelas hélices servia como combustível para aumentar ainda mais o fogo.

A falta de hidrantes na região foi um grande entrave ao trabalho dos Bombeiros, que trabalhavam com equipamentos precários e escassos. A água tinha que ser tirada do Rio Guaíba, distante 1km do local do incêndio. Lanchas equipadas com bombas ajudavam no trabalho. Se tem notícia de que pelo menos seis mangueiras se romperam. Mesmo assim, as 17h do dia seguinte, 4,2 milhões de litros de água haviam sido utilizados.

A escada que não era enclausurada por portas corta fogo, serviu como uma chaminé, levando a fumaça para os andares de cima. Além disso, a escada possuía apenas 1 metro de largura. As janelas eram fechadas com grades e eram do tipo basculantes, mantendo os gases tóxicos presos e impedindo o acesso do Corpo de Bombeiros.

As causas do incêndio na Lojas Renner

O órgão responsável por investigar as causas do incêndio na época era o Instituo de Criminalística. Os peritos responsáveis e que assinaram o laudo foram, o relator Gilberto Morás Marques, o co-relator, João Bosco Abs da Cruz, e o revisor, Paulo Roberto do Amaral Holsbach.

Dois dias após o fim do incêndio eles puderam entram no prédio para fazer as avaliações, que duraram oito dias. Além disso conversaram com testemunhas da tragédia e analisaram dezenas de fotografias.

Na página 20 do laudo, se encontra a conclusão sobre a causa do incêndio: “ação de corpo ígneo (cigarro ou palito de fósforo) caído ou lançado, acidental ou propositalmente, sobre material combustível”.

Um mês e três dias depois do incêndio, em apenas 6 segundos, o que restou do prédio foi implodido. No local foi construído um novo edifício que continuou pertencendo a Lojas Renner.

Mudanças na Legislação do Estado do Rio Grande do Sul

Na época do incêndio era inexistente no estado do Rio Grande do Sul, uma legislação específica sobre o tema. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro já haviam feito grande progresso, especialmente após os incêndios dos edifícios Joelma e Andraus.

Apenas após a tragédia de 1976 que o tema começou a ser amplamente discutido pelas autoridades. Mas o primeiro movimento foi feito por empresários e veículos de imprensa. Juntos levantaram fundos para a instalação de cerca de mil novas unidades de hidrantes na cidade.

Ainda no mesmo ano, ocorreu a sanção das leis complementares nº 30 e nº 28, que tratavam das normas de proteção contra incêndio e da vistoria obrigatória em prédios. O prefeito Guilherme Socias Villela foi que sancionou as leis, e a partir delas, possuir extintores de incêndio, saídas de emergência e hidrantes externos e internos passaram a ser obrigatórios.

— Foi terrível. Daquela desgraça, tiramos muitas lições. Dali em diante, as coisas mudaram — disse Villela anos depois.

A tragédia da Boate Kiss, 30 anos depois, mostra que as coisas não mudaram tanto assim.

Fonte: Jornais Folha de São Paulo, Zero Hora; Sites Governo do Rio Grande do Sul, Jornal Gaúcha ZH, metroworldnews.

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Tem curiosidade de saber sobre outras histórias de incêndios que marcaram? Veja as histórias do Edifício Joelma, do Edifício Andraus, e do Gran Circus Norte-Americano.

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