Materiais de acabamento e revestimento influenciam em como elaborar um laudo cmar

Escrito por Thaís Silva

CMAR é a sigla para controle de materiais de acabamento e revestimento. Destina-se a identificar materiais e padrões necessários nos acabamentos e revestimentos a serem aplicados nas edificações. Dessa forma, se evita o surgimento de condições propícias a propagação do fogo e geração de fumaça.


O que é CMAR

O CMAR foi desenvolvido com a função de propiciar maior segurança para as edificações e seus ocupantes. Através das normas vigentes, garante que os edifícios possuam materiais de acabamento e revestimento que são adequados a sua estrutura e tipo de ocupação.

O controle de materiais de acabamento e revestimento também garante que em caso de incêndio, os materiais não se transformem em armas contra os ocupantes em busca de uma saída. Imagine pessoas desesperadas tentando escapar por um corredor, onde o teto feito de material plástico, derrete pingando em chamas sobre todos.

O CMAR é exigido para:

  • Pisos;
  • Paredes e divisórias;
  • Tetos e forros;
  • Coberturas.

Como elaborar o Laudo de Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento

O Laudo CMAR deve ser elaborado por um responsável técnico, que deve seguir as normas e padrões estabelecidos pelo Corpo de Bombeiros. Isso inclui a análise de todos os materiais de acabamento e revestimentos que são utilizados na estrutura do edifício, de acordo com as especificações de fabricação.

A Instrução Técnica nº 10 determina todos os parâmetros e regras que orientam os profissionais no processo de regularização.

O processo se inicia com o Projeto de Combate a Incêndio, que classifica os materiais utilizados e indica a necessidade de possíveis proteções. Passa-se então, a instalação dos materiais e emissão do Laudo CMAR.

Ao longo do texto vamos abordar todos os tópicos importantes e te mostrar tudo o que você precisa saber sobre esse laudo tão importante para a prevenção e combate a incêndios.

A importância do CMAR na prevenção e combate ao incêndio

Ao contrário do que grande parte das pessoas imagina, as mortes providentes de um incêndio, não são causadas unicamente por queimaduras originadas pelo fogo. Há outros fatores que podem vitimar pessoas durante um incêndio, em especial, a inalação da fumaça originada pela queima dos materiais de acabamento e revestimento do imóvel.

Materiais com alta combustão podem acelerar a evolução de um incêndio, um grande volume de fumaça pode impedir a visão da rota de fuga dos ocupantes. Estes fatores e outros, contribuem para maiores danos materiais e mais vítimas.

Ou seja, é primordial que haja um estudo preliminar dos materiais a serem instalados na edificação, de acordo com todas as especificações da legislação. Além disso, alguns acabamentos e revestimentos podem passar por um tratamento com retardante ante chamas, para que sejam minimizados os riscos de alastramento do incêndio e fumaça originada pela sua queima.

O CMAR é obrigatório para todas as edificações?

Não! Não será exigido o Laudo CMAR em edificações onde a área é menor ou igual a 750 m², e altura menor ou igual a 12 metros, para os seguintes grupos/divisões: A, C, D, E, G, F-9, F-10, H-1, H-4, H-6, I, J.

O Corpo de Bombeiros de São Paulo através do Decreto Estadual nº 63.911 determina as edificações, onde a aplicação do CMAR é exigida:

  • Todas as edificações com área superior à 750 m², quando pertencerem aos Grupos B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, e M, para todas as alturas.
  • Edificações com área superior à 750 m², quando pertencerem ao Grupo A, somente quando a altura for superior à 12 metros.
  • Edificações com área inferior à 750 m², quando pertencerem aos Grupos B, H e L, e altura igual ou inferior à 12 metros:
    • B-1: Hotel e assemelhado;
    • B-2: Hotel residencial;
    • H-2: Local onde pessoas requerem cuidados especiais por limitações físicas ou mentais;
    • H-3: Hospital e assemelhado;
    • H-5: Local onde a liberdade das pessoas sofre restrições;
    • L-1: Comércio de fogos de artifício.
  • Edificações com área inferior à 750 m², quando pertencerem aos Grupos F, altura igual ou inferior à 12 metros, somente quando a lotação for superior à 250 pessoas:
    • F-1: Local onde há objeto de valor inestimável;
    • F-2: Local religioso e velório;
    • F-3: Centro esportivo e de exibição;
    • F-4: Estação e terminal de passageiro;
    • F-5: Arte cênica e auditório;
    • F-6: Clube social e salão de festa;
    • F-7: Instalação temporária;
    • F-8: Local para refeição;
    • F-11: Boate.

Se você tem dúvida em relação a classificação das edificações, leia este outro artigo sobre o assunto e fique por dentro.

Identificar a classificação de sua edificação é o primeiro passo para obter o Laudo CMAR. Sabendo esse dado você descobrirá quais as características que os materiais de acabamento e revestimento devem possuir. Tais características são divididas em classes.

O que são as classes de materiais e como obter esta informação?

As classes de materiais de acabamento e revestimento são a forma como se classifica os diferentes materiais, quando entram em contato com o fogo. São usados critérios como a combustibilidade, a forma como a chama se alastra e a quantidade de fumaça propagada.

No Anexo A, da IT nº 10 é possível consultar as Tabelas A.1, A.2 e A.3 e ver os diferentes tipos de classes de material, que vão de I a IV. Os dados são obtidos através de ensaios específicos em laboratório, conforme métodos estabelecidos pelas Normas ISO 1182, NBR 9442, NBR 8660, EN ISO 11925-2 e ASTM E 662.

É fundamental que o fabricante do material forneça um laudo do ensaio, produzido por laboratório competente, certificando que a classificação do material corresponde aos critérios estabelecidos pela legislação.

Como identificar a classificação do CMAR?

Agora que você já sabe a classificação de sua edificação e já entendeu o que são as classes de materiais de acabamento e revestimento é possível consultar a Tabela B.1 do Anexo B da IT nº 10.

Através do Anexo B (Tabela de utilização dos materiais conforme classificação das ocupações), é possível identificar a classificação do acabamento para o uso pretendido, e onde o material poderá ser aplicado:

Tabela B.1 do Anexo B da IT nº 10 que trata sobre CMAR - Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento

Como são realizados os testes nos materiais de acabamento e revestimento

O Corpo de Bombeiros reconhece alguns laboratórios para a realização dos ensaios específico. Dentre eles estão: IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, Grupo Falcão Bauer, e ITEN – Instituto Tecnológico de Ensaios.

Os ensaios realizados nos materiais de acabamento e revestimento levam em consideração diversos critérios que são relevantes durante um incêndio, sendo os principais:

  • Índice de propagação superficial de chama;
  • Fluxo de energia radiante necessário à manutenção da frente de chama no corpo de prova;
  • Densidade óptica específica máxima;
  • Tempo de flamejamento do corpo de prova;
  • Índice da taxa de desenvolvimento de calor;
  • Propagação lateral da chama;
  • Liberação total de calor do corpo de prova mediante exposição às chamas.

Através da realização dos testes específicos é possível prever a forma como o material irá se comportar durante um incêndio. Pode-se assim, ser avaliada a necessidade de aplicação de proteção passiva em pisos e forros por exemplo, visando minimizar os riscos provenientes da queima dos materiais.

Existe uma situação em que o Corpo de Bombeiros exige que seja apresentado o laudo de ensaio específico dos materiais empregados, elaborado por laboratório independente. Quando uma edificação ou parte dela é destinada à “reunião de público”, para qualquer ocupação de Grupo “F” do Decreto nº 63.911, com lotação superior a 250 pessoas.

Para todas as outras basta apresentar o Laudo CMAR assinado por um responsável técnico.

Proteção passiva para os materiais de acabamento e revestimento

Pode acontecer do material de acabamento ou revestimento instalado não estar dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Anexo B da IT nº 10. Nesses casos, utiliza-se da aplicação superficial de produtos retardantes de chama ou inibidores de fumaça, a fim de adequá-lo aos critérios da Instrução Técnica.

O tipo de proteção a ser aplicado sobre os acabamentos e/ou revestimentos deverá ser avaliado pelo responsável técnico (engenheiro ou arquiteto). Dessa maneira, é possível comprovar o que melhor se adequa à finalidade pretendida. A responsabilidade em fornecer os laudos de ensaio específicos, que garantirão a efetividade da proteção, é da empresa fornecedora do produto.

Materiais que dispensam avaliação do controle de materiais de acabamento e revestimento

Materiais como vidro, concreto, gesso, produtos cerâmicos, pedra natural, alvenaria, metais e ligas metálicas, são considerados incombustíveis, e, portanto, dispensados do CMAR. Os pisos de madeira maciça, na forma de tábuas ou tacos, mesmo que envernizados, também estão dispensados desta avaliação.

Muitos confundem o conceito do CMAR e consideram cortinas e móveis estofados, mesmo que fixos, como materiais de acabamento e revestimento. Ocorre que, a Instrução Técnica nº 10 é bem específica, ou seja, são considerados como mobiliários no geral.

O Laudo CMAR na obtenção do AVCB – Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros

A falta do laudo de controle de materiais de acabamento e revestimento pode ser um fator determinante na hora de renovar ou emitir seu AVCB.

Se o Laudo CMAR for destinado a uma edificação nova, é essencial que desde a elaboração do Projeto de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI) sejam previstos os critérios básicos para instalação dos materiais do piso, parede, teto e forro. Dessa forma, não se corre o risco da substituição de materiais já instalados ou ainda, de ter que proteger passivamente materiais instalados de forma errada.

Caso as instalações já estejam consolidadas, é de suma importância que um profissional e/ou empresa habilitada avalie e certifique as condições existentes, visando proteger a edificação e seus ocupantes de possíveis riscos durante um incêndio.

As informações devem ser demonstradas através de plantas baixas e cortes, para que sua conformidade seja previamente avaliada e aprovada pelo analista do Corpo de Bombeiros.

Os referidos materiais devem ser instalados de acordo com as especificações do Projeto Técnico. Quando o imóvel for vistoriado pelo Oficial do Corpo de Bombeiros, o projeto será comparado ao que está in loco, para ter certeza que as normas foram cumpridas. Só assim pode ser viabilizada a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Importância dos Engenheiros e Arquitetos na elaboração do Laudo CMAR

Apenas estes profissionais, que detém a responsabilidade técnica pelas instalações da edificação e, através de uma empresa qualificada, tem a capacidade para avaliar os diferentes materiais e características de cada edificação e apontar o melhor caminho.

Para fins de renovação ou obtenção do AVCB do Corpo de Bombeiros, é necessário que o responsável técnico apresente uma RRT (arquiteto) ou ART (Engenheiro). Isso certificará que todos os materiais instalados na edificação estão em conformidade com os critérios exigidos pelo “Anexo B” da IT nº 10.

São muitos os aspectos que devem ser avaliados para se obter o Laudo CMAR. Por isso, sempre confie esse processo a profissionais qualificados e empresas registradas nos órgãos competentes.

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